Então eu li… Golem e o Gênio de Helene Wecker.

Em 2013 enquanto guardava uma pilha de livros novos que tinham acabado de chegar da importação na livraria, um em especial chamou minha atenção. Ele tinha um arco na capa e o título parecia convidativo. The Golem and the Jinni.

Alguns anos se passaram até que nos reencontrássemos, dessa vez graças a Darkside. Mas se tem uma coisa que o livro ensina… é que essas coisas acontecem. Pequenos acasos nunca são realmente acasos, tudo está conectado.

Nova York, virada do século XX. Temos duas criaturas míticas andando por NY tentando se misturar em meio a população.

Chava, a Golem, uma criatura feita de barro que deve obedecer e servir a seu mestre. Criada através de técnicas pouco convencionais na Cabala.

Ahmad, o Gênio ou Djim, uma criatura de fogo que vivia no deserto sírio até ser aprisionado em uma garrafa.

Ambos acabam por obra do destino em NY, vivendo em suas respectivas comunidades, judaica e árabe e apresentando para o leitor as relações entre os moradores delas.

A autora dá uma panorama das duas comunidades, suas tradições e valores, as bases fundamentais de suas culturas. Mostra as diferenças culturais desses dois povos e também as semelhanças.

Os protagonistas são contrapontos. Chava criada para acreditar no que lhe diziam, aceita o que lhe é imposto. Enquanto Ahmad, tem seu próprio povo, sua cultura e se sente preso e questiona seu lugar na cidade desconhecida.

O relacionamento entre os personagens durante o livro todo chama atenção.

O livro por vezes muda de foco, entre flashback do Djim e de outros personagens ‘menores’ durante a trama, estabelecendo conexões entre eles e gerando extrema simpatia com o leitor.

É um período curioso para se escrever sobre as duas comunidades que logo nas primeiras décadas do Séc XX entram em conflito, que dura até hoje.

Mas a autora explica que por ela ser judia e o marido árabe, é uma realidade em que vive… é a história de sua família. Viver como minoria em uma cultura estrangeira o que afeta os relacionamentos entre a família e fora dela.

 Enfim, Helene Wecker misturou seres míticos com sua própria história e transformou nesse livro sensacional que definitivamente vale a pena ler!

Manipular a história para que ela se molde ao mundo como você o vê  é uma atividade no mínimo fascinante, poder explicar através dela os resultados obtidos após décadas… é curioso para dizer o mínimo. E não é isso que é ser um escritor?

Recomendo! Para ler sem pressa, apreciar página à página.

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