O Segredo das Coisas Perdidas de Sheridan Hay

Hoje um livro quase desconhecido, e meio que uma teoria do porque não podemos subestimar livros desconhecidos!

Sheridan Hay,  autora australiana nasceu na Tasmânia e anos depois foi morar em NY onde trabalhou por nove meses na Strand Bookstore.

Sem dinheiro ou amigos, foi ‘educada’ pelo trabalho na livraria! Ela afirma que a sua vida está sempre, de alguma forma, conectada aos livros, e diz que essa foi uma experiência crucial em sua formação.

Começou a escrever o livro após a morte da mãe, e demorou cinco anos para finalizá-lo. O livro de estréia da autora foi publicado pela primeira vez em 2006 e já tem mais de 15 edições.

Resenha: O Segredo das Coisas Perdidas de Sheridan Hay

O Segredo das Coisas Perdidas de Sheridan Hay. Nova Fronteira 2008. Pág.320.

Rosemary Savage chega a NY após a morte da mãe. Na cidade que nunca dorme, com pouco dinheiro e sem amigos encontra abrigo na Arcade, uma das maiores livrarias de livros usados (sebos) de NY. Lá conhece os mais excêntricos colegas de trabalho e explora um mundo de clássicos da literatura mundial, principalmente em Herman Melville. Onde inicia uma busca por seu manuscrito perdido de ‘The Isle of the Cross’.

Imperdível para todos que um dia sonharam (ou ainda sonham) em habitar uma livraria e/ou só gostam muito de livros.

Livro disponível AQUI 

Quem já entrou num sebo sabe que é ‘O’ lugar das coisas perdidas, o garimpo é necessário se você quiser encontrar alguma preciosidade.  Na Arcade não é diferente, tudo que está lá dentro está de alguma forma perdido.

‘Eu precisava de dinheiro e de trabalho. Eu tinha de saber quem eu poderia me tornar.(…)Aventurei-me mais para o centro e, na verdade, passei pela Arcade várias vezes sem me dar conta do que ela era: o maior sebo da cidade. Nunca ouvira falar de sua fama de abrigar coisas perdidas: livros já possuídos e perdidos ou nunca possuídos e desejados.’ p.30

Ao longo do livro descobrimos que os personagens fazem parte dessas preciosidades. O quadro de funcionários da livraria reúne os mais excêntricos e caricatos personagens que conheci em anos, o que é um diferencial do livro.

O Dono George Pike que com os ágeis olhos atribui preço aos livros é o mal-humorado capitão da Arcade.

O Gerente intelectual e albino, Walter Geist que aos poucos perde a visão e Pearl Baird a atendente transexual e vaidosa, que cuida de todos na loja, são seus funcionários de confiança. Além da equipe de funcionários da qual Rosemary faz parte.

O desenvolvimento desses personagens ao longo da narrativa é um elemento de destaque do livro, onde até mesmo os secundários são bem trabalhados e não são deixados de lado ao longo da história.

A personagem que mais me cativou foi a recepcionista do Hotel em que Rosemary mora assim que chega a cidade, Lillian La Paco, uma argentina que sente constante saudade de sua terra natal e procura a aproximação dela através dos livros de Jorge Luis Borges que Rosemary trás da Arcade. E que justamente por isso me marcou, foi quem me apresentou Borges e por isso sou eternamente grata.

‘Eu preferia os colecionadores a quem se livrava dos livros. Os colecionadores eram apaixonados, pelo menos. Oportunistas, mas de um modo diferente. O interesse pelos livros enquanto objetos, eu achava, tinha mais a ver com amor do que com dinheiro.’ p.56

A trama se desenvolve em torno dos funcionários da Arcade e Rosemary que se vê envolvida na autenticação de um manuscrito perdido de Melville adquirido por um famoso colecionador de modo ilícito. Ela então em busca de indícios de que o manuscrito é verdadeiro faz uma imersão no mundo do autor através das cartas que ele trocava com Nathaniel Hawthorne, enquanto tenta compreender o que acontece a sua volta.

‘Nunca havia lido Herman Melville; só o nome me era conhecido’ p.30

O livro é melancólico, mas a autora conseguiu estruturar bem a história mantendo uma leitura dinâmica. E ainda que eu tenha gostado muito do livro, imagino que ele é tão excêntrico quanto seus personagens, consequentemente seu leitores também devem ser um pouco.

Esse é um livro diferente do que se tem visto nos últimos anos, do tipo que se preocupa em ser bom e não em ser um sucesso, e sem dúvida um livro adulto.

★★★★★ Muito Bom – Está entre os meus favoritos.

Enfim, arriscar a ler aquele livro desconhecido que estava no cantinho, as vezes é a melhor coisa que fazemos.

2 comentários sobre “O Segredo das Coisas Perdidas de Sheridan Hay”

  1. Adorei!Nunca tinha ouvido falar desse livro…Fui correndo olhar na Saraiva, mas já tinha subido. =XDe qualquer forma, vai pra lista de desejados! =P"Imperdível para todos que um dia sonharam (ou ainda sonham) em habitar uma livraria."o/

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